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Quatro
amigos fazem Los 3 Amigos
O quadrão Los Tres Amigos
estreou no FolhaTeen em 16 de dezembro de 91. No começo,
era publicado em preto-e-branco, na página 2. O que
poucos sabem é que, como na história de Alexandre
Dumas, são quatro os mosqueteiros responsáveis
pela história. Para que tanta gente? Cada um dá
o melhor de si, e o resultado é um cartunista perfeito,
responde Angeli. Conheça esses mosqueteiros. Tem até
o D'Artagnan...
Angeli é o pai da idéia
CÉLIA ALMUDENA
da Reportagem Local
Arnaldo Angeli Filho, 41, ou
simplesmente Angeli, é o pai de Los 3 Amigos, Wood
& Stock, Escrotinhos e Escrotinhas, entre outros personagens.
No aniversário de dois anos da revista "Chiclete
com Banana", ele quis comemorar fazendo um encarte com
o trabalho dos colaboradores e amigos mais próximos.
Na época, ele havia assistido o vídeo "Três
Amigos", dirigido por John Landis. É sobre a história
de três atores decadentes que viram heróis em
uma cidade mexicana. "Achei o filme superengraçado.
Pintou, então, a idéia de fazer a capa do encarte
com os três vestidos de mexicanos." Daí
para virar uma história foi um pulo.
"Percebemos que criamos três ótimos personagens,
extrapolamos a paródia. E daí começamos
a colocar uma caricatura da personalidade de cada um nos personagens."
Para ele, o único problema do quadrão no Folhateen
é o formato ingrato. "São personagens para
histórias longas."
"História quase
vira terapia"
da Reportagem Local
"É um conforto trabalhar
em parceria com o Angeli, o Glauco e o Adão. Onde um
manquitola, o outro caminha bem. O Angeli sabe fazer um bom
personagem. O Adão tem um tipo de humor que me falta",
assim Laerte Coutinho, 46, define Los 3 Amigos.
Segundo os outros amigos, Laerte costuma ser o mais sério.
Sempre traz as viagens para a realidade. Ele diz que nas reuniões
sempre rolam idéias, "entre outras coisas".
"Se a gente não se cuidar, a história vira
psicoterapia. E não pode descambar para isso porque
acaba perdendo a graça."
Quando um dos amigos fala do outro, o espírito sacana
e gozador predomina sempre. "O Glauco carrega a flauta,
o resto carrega o piano. Há até uma questão
gráfica para isso. O traço do Glauco é
biplano, ele ainda não descobriu a 3ª dimensão,
apesar de já estar na 5ª", diz Laerte.
Ele conta que cada um desenha seu personagem. Mas, às
vezes, a maioria só desenha cenários, já
que apenas um é o personagem principal da história.
"Estar no Folhateen é uma surpresa. Nunca achei
que nossa linguagem fosse teen. Sempre pensei que nosso público
leitor era uma pessoa mais velha." (CA)
"Eu carrego a flauta"
da Reportagem Local
Se Angeli é o pai da
idéia, Glauco, ou Glauco Vilas Boas, 40, é o
pai ausente. "O Laerte carrega o piano, e eu carrego
a flauta", diz.
Todas ou quase todas as quintas-feiras os amigos se reúnem
para criar a história da semana. As reuniões
geralmente são regadas a muita besteira. "Até
esquentar o calhambeque nós damos muita risada",
diz Glauco.
Glauco é o que mais falta nos encontros semanais. "Sou
o mais furão. Geralmente quando alguém falta
o personagem dele é muito sacaneado, vira vítima.
Como fiquei afastado de Los 3 Amigos um bom tempo, dá
para imaginar quanto o Glauquito sofreu."
Ele define o mundo dos personagens como caótico, "não
conseguimos prever o que vai acontecer, não conseguimos
manter uma linearidade".
O cartunista diz que fazer Los Tres Amigos em conjunto é
uma terapia. "Surgem idéias e saídas incríveis
para as histórias. São quatro cabeças.
E o resultado gráfico fica interessante, acaba saindo
um cartunista novo."
Como chargista da página 2 da Folha, Glauco já
acompanhou quatro presidentes. "Preciso ficar ligado
nos fatos como se eu fosse um repórter de política."
(CA)
"É como uma banda
de rock"
da Reportagem Local
Adão Iturrusgarai Maciel
Filho, gaúcho, 32 anos, é o quarto mosqueteiro.
Passou um bom tempo como Fanzueca até conquistar seu
uniforme de Los 3 Amigos. É, há cerca de um
ano e meio, o Adôn.
"Em 92, quando vim morar em São Paulo, eles me
convidaram para participar de Los 3 Amigos. Fazia cenários,
ajudava a bolar idéias, era figurante."
Sobre a dificuldade de reunir os quatro amigos semanalmente,
Adão tem um boa tese: "É como uma banda
de rock. Todo mundo tem de estar bem-humorado".
Adão conta que os encontros, geralmente na sua casa,
são "uma pegação no pé".
"Às vezes, eles me chamam de mascote, enchem o
saco. Parecemos um bando de moleques. Falo tanta besteira
que pareço ter 14 anos."
O mosqueteiro diz que na maioria das vezes é, sem dúvida,
o mais teen do quarteto. (CA)
Fonte: Folha de S. Paulo, 16
de fevereiro de 1998
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