Folha de S. Paulo, caderno Folhateen, 16 de fevereiro de 1998

Faltam 79 dias para o início do carnaval

Quatro amigos fazem Los 3 Amigos

O quadrão Los Tres Amigos estreou no FolhaTeen em 16 de dezembro de 91. No começo, era publicado em preto-e-branco, na página 2. O que poucos sabem é que, como na história de Alexandre Dumas, são quatro os mosqueteiros responsáveis pela história. Para que tanta gente? Cada um dá o melhor de si, e o resultado é um cartunista perfeito, responde Angeli. Conheça esses mosqueteiros. Tem até o D’Artagnan…

Angeli é o pai da idéia
CÉLIA ALMUDENA
da Reportagem Local

Arnaldo Angeli Filho, 41, ou simplesmente Angeli, é o pai de Los 3 Amigos, Wood & Stock, Escrotinhos e Escrotinhas, entre outros personagens.
No aniversário de dois anos da revista “Chiclete com Banana”, ele quis comemorar fazendo um encarte com o trabalho dos colaboradores e amigos mais próximos.

Na época, ele havia assistido o vídeo “Três Amigos”, dirigido por John Landis. É sobre a história de três atores decadentes que viram heróis em uma cidade mexicana. “Achei o filme superengraçado. Pintou, então, a idéia de fazer a capa do encarte com os três vestidos de mexicanos.” Daí para virar uma história foi um pulo.

“Percebemos que criamos três ótimos personagens, extrapolamos a paródia. E daí começamos a colocar uma caricatura da personalidade de cada um nos personagens.” Para ele, o único problema do quadrão no Folhateen é o formato ingrato. “São personagens para histórias longas.”

“História quase vira terapia”
da Reportagem Local

“É um conforto trabalhar em parceria com o Angeli, o Glauco e o Adão. Onde um manquitola, o outro caminha bem. O Angeli sabe fazer um bom personagem. O Adão tem um tipo de humor que me falta”, assim Laerte Coutinho, 46, define Los 3 Amigos.

Segundo os outros amigos, Laerte costuma ser o mais sério. Sempre traz as viagens para a realidade. Ele diz que nas reuniões sempre rolam idéias, “entre outras coisas”. “Se a gente não se cuidar, a história vira psicoterapia. E não pode descambar para isso porque acaba perdendo a graça.”

Quando um dos amigos fala do outro, o espírito sacana e gozador predomina sempre. “O Glauco carrega a flauta, o resto carrega o piano. Há até uma questão gráfica para isso. O traço do Glauco é biplano, ele ainda não descobriu a 3ª dimensão, apesar de já estar na 5ª”, diz Laerte.

Ele conta que cada um desenha seu personagem. Mas, às vezes, a maioria só desenha cenários, já que apenas um é o personagem principal da história.
“Estar no Folhateen é uma surpresa. Nunca achei que nossa linguagem fosse teen. Sempre pensei que nosso público leitor era uma pessoa mais velha.” (CA)

“Eu carrego a flauta”
da Reportagem Local

Se Angeli é o pai da idéia, Glauco, ou Glauco Vilas Boas, 40, é o pai ausente. “O Laerte carrega o piano, e eu carrego a flauta”, diz.

Todas ou quase todas as quintas-feiras os amigos se reúnem para criar a história da semana. As reuniões geralmente são regadas a muita besteira. “Até esquentar o calhambeque nós damos muita risada”, diz Glauco.

Glauco é o que mais falta nos encontros semanais. “Sou o mais furão. Geralmente quando alguém falta o personagem dele é muito sacaneado, vira vítima. Como fiquei afastado de Los 3 Amigos um bom tempo, dá para imaginar quanto o Glauquito sofreu.”

Ele define o mundo dos personagens como caótico, “não conseguimos prever o que vai acontecer, não conseguimos manter uma linearidade”.

O cartunista diz que fazer Los Tres Amigos em conjunto é uma terapia. “Surgem idéias e saídas incríveis para as histórias. São quatro cabeças. E o resultado gráfico fica interessante, acaba saindo um cartunista novo.”

Como chargista da página 2 da Folha, Glauco já acompanhou quatro presidentes. “Preciso ficar ligado nos fatos como se eu fosse um repórter de política.” (CA)

“É como uma banda de rock”
da Reportagem Local

Adão Iturrusgarai Maciel Filho, gaúcho, 32 anos, é o quarto mosqueteiro. Passou um bom tempo como Fanzueca até conquistar seu uniforme de Los 3 Amigos. É, há cerca de um ano e meio, o Adón.

“Em 92, quando vim morar em São Paulo, eles me convidaram para participar de Los 3 Amigos. Fazia cenários, ajudava a bolar idéias, era figurante.”
Sobre a dificuldade de reunir os quatro amigos semanalmente, Adão tem um boa tese: “É como uma banda de rock. Todo mundo tem de estar bem-humorado”.

Adão conta que os encontros, geralmente na sua casa, são “uma pegação no pé”. “Às vezes, eles me chamam de mascote, enchem o saco. Parecemos um bando de moleques. Falo tanta besteira que pareço ter 14 anos.”

O mosqueteiro diz que na maioria das vezes é, sem dúvida, o mais teen do quarteto. (CA)

Fonte: Folha de S. Paulo, 16 de fevereiro de 1998

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